Mulheres...

::. 

Fases, todas capazes 
Turbilhões incoerentes 
Súbitas lágrimas deslocadas 
Demoradas escolhas 
Fúrias desvairadas 
Mudanças climáticas 
Apaixonadas 

Luas, ciclos, nuas 
Lindas desmaqueadas 
Perigosos encantos noturnos 
Marés provocadas 
Calores inconstantes 
Risos em quarto-crescentes 
Entronizadas 

Lados, dados jogados 
Pétalas frágeis 
Sempre garras afiadas 
Guerreiras notáveis 
Armas perfumadas 
Olhares viciantes 
Indecifradas 

::.

jambelfort
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.::

Coração Triste

::.

Coração triste é um fruto caído pelo seu próprio peso. 
Às vezes tudo o que quer é ser coberto por alguma folha que o vento vagueia. 
Não, sem lamas. Não mais. 
Não serve pra consumo. Mas se consome. 
Apenas não serve. 
Sem lama. Mas lamenta. 
Venta, mas a folha nunca sai. 

Coração triste de alguém caído pelo peso em sua consciência. 
Às vezes tudo o que quer é ser descoberto. 
Pensamento que vagueia... 
Não reclama. Não mais. 
Não serve de consolo. Mas o que consola? 
Apenas não serve. 
Só ama. Mais aumenta. 
Tenta, mas a coisa nunca sai.

::. 

jambelfort
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::.

Pós-Scriptum:

Vou transcrever um trecho de certa boa música:

"...Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe
A estrela que eu escolhi não cumpriu com o que eu pedi e hoje não a encontrei
Pois caiu no mar, e se apagou.
Se souber nadar, faça-me o favor...
O milagre que esperei nunca me aconteceu.
Quem sabe só você pra trazer o que já é meu?

Brilha onde estiver
  Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé" 

 ::.

Teus Vários Lábios (+18)

::. 

Rosto num arrasto arranha - dorso! 
Paladar teus vários lábios - todos! 
Dentes que desbravam peles - mordo! 
Ar colhido de tua nuca - roubo! 
Faro desbravando coxas - lobo! 
Frio manuseia ventre - sopro! 
Ritmo multitranspira - louco! 
Teu ponto que exclama ação - fogo! 
Bico umedece doce - solto! 
Mas que sabe ela de Magritte? - pouco. 
Peço que ela se retire - rouco. 
Outra noite, outra moça - bobo... 

::. 

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::. 

Pós-Scriptum: Tudo começou com a pergunta: Como seria um texto erótico meu? Sabia que não seria vulgar, mas teria um pouco de humor negro... (sabe-se lá porquê). O resultado, talvez tão medroso e baixo como a parte 'teus vários lábios', foi esse. A mediocridade de um homem bobo que não percebe que em uma mulher tão importante quanto o cérebro é seu coração. Isso não ficou bem claro no texto. Não sou Assis. Algum dia eu acerto. 

 ::.

Sendo eu mesmo...

::. 

Errando e acertando, mas sendo eu mesmo 
Beijos meus passos marcados no chão 
Não acho que perco quando eu me acho 
Meus risos decidem minha direção 

Nunca me empato com perdas ou ganhos 
Sou fruto de escolhas colhido ao plantar 
Escolho andar por quem sou de verdade 
O eu a quem quero irei encontrar 

(...) 

Não te escolho no meu jogo, vida vazia 
Meu caminho eu mesmo faço 
Não me encolho no teu fogo, vida vadia 
Meu carinho eu mesmo faço 

::. 

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::.

Sonhos e Destinos Extraviados

::. 

}
Há quem as regue. Há quem as borde. 
Flores. Há quem as ignore.
{

Alguns sonhos em comum só podem ser realizados em lugares diferentes... 
Alguns destinos em comum só podem ser percorridos por caminhos distantes... 
Abandonaria-se então o sonho? Mudaria-se então o destino? 

...algumas flores se bordam por si só...

O artista se vai, mas o bordado permanece. 

Talvez exista um lugar para os sonhos e destinos extraviados... 
Talvez lá se encontrem... 
Talvez se reconheçam... 
Talvez se entrelacem... 
Sonhos e destinos são apenas o começo de novos começos. 
Talvez num desses começos se lembrem que querem ser sonho e destino comum. 

Talvez não... 
Mas bastaria e compensaria apenas lembrar o antigo bordado bonito de um dia feliz. 

...algumas flores se regam por si só...

::. 

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::.

Obrigado pelas Lágrimas






::.

Tu me deste
Tu tiraste de mim
Teu nome bendito seja

Graças te dou pela separação de meus pais
Pelas lágrimas de minha mãe
Pela morte de minha sobrinha
Pela minha cadela que não voltou

Graças te dou por eu nunca te ver
Por eu nunca te tocar
Por eu nunca te ouvir
Por eu nunca te sentir
Pelo diálogo que nunca tivemos

Graças te dou pelos genocídios
Pelas chagas
Pelos vírus
Por não evitar a mão de Hitler
pelos estupros
pelas tissunames
Pelo bebê não resgatado no incêndio

Graças te dou por tudo aquilo que ainda não agradeci
Graças te dou por tudo aquilo que ainda não compreendi

Tu és o oleiro
eu apenas o barro
Tu plantas rosas e cravos
Eu continuo jarro
Se me culpo pelas minhas vontades
fico indefeso sob as tuas

Fazes de mim o que te agrada
ainda que não a mim

Te agradeço por cada uma de minhas lágrimas.

Tu me deste
Tu tiraste de mim
Teu nome bendito sempre seja

::.

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::.

Rosa despedaçada

::.

A desejo
Há dez anos
Ah, destino triste

Me encanto com ela
Eu em canto, sem ela

Ela longe de mim
E lá longe de mim
a vi

Qual cor quer ela? qual querê-la?
Ela ama a amarela
Amar a ela eu quero
Que cor dar a ela?
Que corda a prende?
Que cor eu aprendo?
Acordar de repente sem ela

V de verdade
Nem vê de verdade

Sigo todo dia
Se gosto do dia
A seguir sem ela

Por um triste desejo
Por um triz te desejo

Sem coração, vazia
Sem cor, ação vazia

Tira a semente 
Sem mentira

Ela quer amarelo sem mim

Rosa de cheiro
Chei-rosa

Lhe dei com ardor
Lidei com a dor

Ela me despreza
Ela me fez presa indefesa

Mal me quer com ela
Bem-me-quer sem ela

Rosa despedaço
Rosa desperdício
Dez pedaços de rosa no chão

::.

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 ::.

A Hora de Minha Morte

::.

Na hora da morte eu quero ser forte
E se tiver sorte prefiro nem ser
Quero sentir os meus medos surgindo
Saborear rindo meu entristecer

Agora é que a vida será desvelada
Desmitificada. Devir e não-ser
Desejo não ver meus amigos fingindo
Embora estar indo, vou permanecer

Meu ir também é viver.

O tempo
a seu tempo
degusta migalhas de mim.

::. 

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::.

Primos Distantes (+18)

::.

Números mágicos existem.
Mais que primos, são perfeitos entre si.
Se completam, apesar de serem únicos,
num mistério mágico ímpar. A outros se acomodam,
mas geram números comuns,
cardinais tão ordinários...
Mas há os números mágicos, como que perfeitos.
Se afastam, vivem paralelos, mas não crêem no infinito.
Números mágicos persistem.
Se são pontos, a menor distância entre eles
transpassa labirintos racionais e probabilísticos.
Se são retas, tortuam Euclides em meridianos que não se tocam.
São números obstinados, diferenciados. Assim, únicos.
Negam posses, mas pertencem um ao outro.
Tais números não andam juntos. Por vezes mal se falam.
Geralmente números comuns os intercalam.
Números primos às vezes vivem separados.
1,dois, três,4, cinco, 6, sete...
Algum número se intromete.
mas são necessários para a contagem ser perfeita.
Números mágicos se encaixam.
Têm tamanho e medida certa. Se incendeiam.
Conhecem o ponto certo. Mas rodeiam...
Números acalorados, proibidos,
Juntos, pervertidos.
Números com química. Números atômicos. São raros, difíceis de os identificar. Resultados iguais em todos os sentidos.
Perfeitos em todas as posições.
Diferentes e profanos. Mistérios levianos. Divisíveis só por eles e por um.
Um 'um' que é sempre mais um.
Orgulham-se de serem números inteiros.
Não podia ser diferente.
Quando divididos não sobram restos. Nada os divide inteiramente.

::.

jambelfort
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.::

(Que texto bobo. Algum dia saberei fazer uma poesia erótica que preste?)
Com o perdão do trocadilho safado, "Números mágicos são inúmeros".
São raros, mas não são únicos.
Você vai achar alguns em seu caminho.
Os números primos mais interessantes são justamente os dois primeiros.
O "2" por ser o único número par e o "3" por ser o primeiro número ímpar.
Números primos geralmente ficam distantes um dos outros (é sempre assim...)
Mas estes dois moram pertinho.
O "2" é o estranho na lista, incomum, sua presença surpreendente.
Um mistério...
O "3" é ímpar, o primeiro, esforçado, dedicado.
Um talento...
Juntos são complicadamente simples.
Algo que não sei desvendar.
Gosto deles.
Ok, revelo: Eu sou o 2. Ela, o 3.
Talvez por estarem perto (e por causa de seus temperamentos), se faíscam e se fascinam.
Caminho imprevisível. Eles n...
Ops! Era pra ser apenas um breve comentário.

::.

Me chamas









::.

Somente Tu falas
mas preferes o silêncio
Devoro a tua Palavra
mas não saboreio o teu abraço
Tua santa lei habita em minha cama
junto aos maus desejos dos meu dias
Durmo no chão, com medo

Em meu coração te louvo
Mas meus atos te entristecem
Meu eterno recair
Teu eterno perdoar

Corto aos poucos o galho onde me assento
O que sentes?
Não sou ramo como os teus

Eis que virão as chamas...
Um dia te verei face a face
E terei medo

Pelos erros de décadas
pagarei décadas sem fim

O que sentirás por mim enquanto te olho?
O que sentirei por ti enquanto me olhas?

Nesse breve instante em que te verei
Ouvirias minha pergunta?

Por que me deste teu silêncio?

Mas em silêncio renuncio minha coroa
Aceitarei tuas primeiras palavras a mim
Ainda que de condenação

Por tanto tempo quis te ouvir
Nesse triste começo dirás meu fim

Como pôdes me amar tão muito?
Como pude Te amar tão pouco?

Disseram que Teu amor era eterno...
Irás ainda me amar enquanto minha alma queima no inferno?

::.

jambelfort
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::.

FIM DO BLOG - Último Texto

::.

Eu tenho um livro aberto no escuro.
Uma pequena luz o ilumina, permitindo a leitura.
Nele é possível saber um pouco daquilo que penso e daquilo que penso saber.
E me foi um trabalhão: Não sou bom em me fazer entendido.
O que me motivou a publicar foi imaginar que os textos ajudariam almas pesadas como a minha a encontrar algum conforto, ainda que apenas no fato de encontrar alguém com sentimentos parecidos.
Falei de coisas que não entendo bem, situações que atravessei despreparado.
Os assuntos são variados.
Tentei simplificá-los.
Mas é tempo de me expressar de outra forma.
De um jeito mais eficaz.
Foi engraçado...
Quando escrevia sobre minha tristeza, fui parabenizado pelo bom texto sobre minha tristeza.
(Essa interessante ironia me fazia um bem danado!)
Mas são textos ineficazes.
Não cumpriram o meu "desejo maior".
Mas por serem "belos", não os apagarei.
O blog continuará no ar (por ser gratuito...)
Depois de tantos calos e tropeços, um homem forte se formou.
Estive atento à todas as lições da vida, com o mesmo interesse e dedicação que tenho pela astronomia, pelos idiomas, pelas leituras, pela maneira de fazer sorrir e pela forma de abraçar.
Não será mais neste blog que alguém saberá o que este novo homem pensa e nem o que ele pensa que sabe.
A pequena luz que acendi aqui permanecerá acesa, mas sem minha presença.
"Minha vida segue se escrevendo" "O artista se vai, mas o bordado permanece" "Deixo sobre a mesa a arte que terminei com uma lágrima" "Meus textos não passam de passos" "Às vezes tudo o que quer é ser descoberto" "Meu ir também é viver" "Vez por outra ainda vivo outra vez" "Não me encolho no teu fogo, vida vadia" "Raios de sol me despertaram em tempo certo" "Eu continuo jarro" "Eu ainda me seria?" "Que cor eu aprendo?" "Caminho pra pensar em mim" "O tempo passou. Mas algo mudou" "Corto aos poucos o galho onde me assento" "Sem dúvida alguma seguirei surpreendendo" "Nem toda conversa se usa palavra" "Talvez cheguemos a lugares onde meras palavras não conseguem nos levar" "Por que não agora?" "Livro se fecha..."
Eu tive um livro aberto no escuro.

::.

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 ::.

Namoro Tolo

::.

Alguns hojes me acordam de ontens mal dormidos.
Agora quero me espreguiçar sem ti.

Travesseiros sempre secam frente ao tempo.
Talvez minha chegada seja mesmo o teu partir.
Lágrimas eram suor de esperanças cegas.
Mas certa forma de vencer é desistir.
Pijama velho lavado pra dias novos.
Mas há outra que prefere o meu despir.
Teu descaso foi colírio de olhos tolos.
Hoje me quero em asas com minha paz fugir.
Pior que o ódio mudo é a linda indiferença.
Melhor que fuga e crença é evitar mentir.

Raios de sol me despertaram em tempo certo.
Ser mais meu mesmo sem ser dela e sorrir.
Alguns hojes me acordam de ontens mal dormidos.
Agora quero me espreguiçar longe de ti.

::.

jambelfort
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 ::.

Números Apaixonados

::.

Livro se abre...
No horizonte vejo as luzes se acenderem
Vejo acesa minha chance de te ver
Mas só vejo tua partida
Somos números distantes
És impar e eu sou par
A par de um caso ímpar
Agora estás na página ao lado
Eu na outra a te observar
Mas estás à margem esquerda
E eu sem direito de estar
Mesmo livro
Tua história faz a minha ter sentido
Numeração distante...
Sentido oposto num livro bem aberto à luz do dia
Meu número tem saudade do seu Livro se fechar...
No horizonte vejo as luzes se apagarem
Vejo acender minha chance de te ver
Por mais que deteste este teste
É só no fechar do livro que nos encontramos
Números distantes que agora estão colados
No escuro te beijo
Mas não te vejo
O que teus olhos sentem por mim?
Temos tintas firmes
Não se deixam despregar
Ignoras nosso encontro?
É meu tipo de impressão?
Quero teu número borrado sobre o meu Livro guardado na estante...
Estamos juntos
Mas distantes
Esperando pelo instante
De alguém nos separar
De que nos adianta
Numerar as páginas de uma linda história
Se escondemos do leitor a nossa?

::.

jambelfort
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 ::.

Amigos Que Não Se Falam








::.

Por não se pode mais ouvir a voz de Deus?
Por que apenas uns poucos privilegiados?
Por que o silêncio é tão importante para Ele?

Bem...
De criança aprendi:
"Falamos com Deus através da Oração e
Ele responde através de Sua Palavra, a Bíblia."
Desde este dia, meu relacionamento com Ele ficou totalmente deformado.

Esta é minha definição de silêncio: "ausência de som".
Pra alguns, esta definição é diferente quando se trata de Deus.
Afinal, Deus "fala" através de uma ação, de uma idéia, de algo material...
Numa capa de CD, aprendi que nossas atitudes falam mais do que nossas palavras.
No evangelho, aprendi que nossa melhor pregação é nosso estilo de vida.
Na arte, aprendi que uma imagem vale mais do que mil palavras.
No cume de uma montanha, aprendi que o silêncio vale ouro.
Com uma ex-namorada, aprendi que às vezes palavras não bastam...
Vejo verdade nestas palavras. De coração.
Mas pra mim é um grande desafio viver estas verdades.
Talvez porque eu prefira o mais fácil... em vez do mais sensato.
Sou um insensato! Talvez este seja o meu problema.
Esta é minha primeira resposta: "Sou um insensato".

Porém isto me leva a outro problema.
Se Deus gosta de dialogar sem o uso de palavras,
por que Ele deseja que usemos as palavras?
Ele também recebe nossas orações em silêncio,
por isso, fiz através de atitudes as minhas orações.
Mas sei que Ele deseja ouvir minha voz.
Qual pai não desejaria?
Mas por que não posso desejar ouvir a dele?
Que filho não desejaria isso?

Algumas pessoas simplesmente se sentem à vontade com o Silêncio de Deus.

Eu não.

Se este é um presente que receberei apenas após a minha morte,
permaneço triste.
O melhor nesta vida só acontecerá quando esta vida se acabar?
Para mim, a FALA não é dispensável.
Dentre muitos deuses mudos, o meu é o único que fala.
E ainda assim prefere o silêncio.
Sua voz criou a luz e seu silêncio me apaga aos poucos,
só porque quero os verbos do Verbo.

Alguém me diria:
"Se o ouvisses, não suportarias em pé."
Eu concordo.
Conheço um velho professor, mestre e doutor,
que prefere não ensinar crianças,
pois elas não o entenderiam, nem o aguentariam...
Para mim, este é um mau professor.
Sei que Deus pode ser abraçado, afinal, já foi até cuspido.

Por que meu melhor amigo simplesmente prefere não falar comigo?

::.

jambelfort

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::.

Por que não agora?








::.

Tive a felicidade de conhecer a Jesus Cristo ainda criança.
Aos poucos percebi que caminhava por caminhar.
Conheci quem sou e no que sou capaz.
Vez por outra, recorria-me ao Caminho,
em ciclos erros-confissões sem fim.

Eu sou um humano mau em meio a maus humanos:
a completa transformação em Nova Criatura é uma esperança após a morte,
demorada demais, para um céu longínquo.
Até lá, sou passivo a quedas e devaneios.
Todos os meu dias.

Muitos, como eu, se despedaçam pelo caminho.
Admiro e observo apaixonadamente os que prosseguem.
Quanta fé!
Mas eu sou um inquieto, um curioso, um eterno questionador do que acredito.
Por que me tornei assim?
Teria o bom Criador criado este menino mal-criado?

Hoje desprezo o que ~aprendi~ sobre Ele.
O conheço, mas não o toco, não o ouço, não o sinto.
A Preciosidade do abraço d’Ele só terei quando minha vida chegar ao fim,
caso inocentado em Seu julgamento.
Felicidade celestial após sofrimentos terrenos.
Isso em nada me conforta hoje, neste corpo, que sangra, que chora, que congela.
De que adianta apenas O ver quando estiver num céu sem lágrimas, dor ou dúvidas?
De que adianta O abraçar apenas quando meus medos já tiverem desaparecido?

Não me contento em ouvi-lo apenas lendo seu livro.
Isto não me agrada em nada.
Quero que Ele me toque.
Só assim serei curado deste mal, como São Tomé, que mesmo sem fé recebeu o que tinha pedido.
Não quero acreditar que seja tudo verdade – disso eu já bem sei.
Não quero barganhar uma teofania,
não quero fazer birra como criança,
não quero julgar-me merecedor de Seu carinho.

Quero apenas Ele.

Por que não agora?

::.

jambelfort
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::.

Flores no Jardim





::

Nasce e MORRE uma flor no Jardim do Éden

Eu não te vi construindo um jardim
Por que dizes que nasci?
Eu não te vi proibindo no jardim
Por dizes que comi?
Eu não te vi expulsando do jardim
Por que dizes que morri?

Vez por outra ainda morro outra vez...

Morre e NASCE uma flor no Jardim das Oliveiras

Eu não te vi exortando no jardim
Por que dizes que morri?
Eu não te vi alimentando no jardim
Por que dizes que comi?
Eu não te vi ressurgindo no jardim
Por que dizes que nasci?

Vez por outra ainda vivo outra vez...

Por que me julgas importante?
O que tu olhas quando a chuva cai em mim?
Vivo num murchar e crescer constante
Quem de nós dois decidirá meu fim?

Tua vida em minha morte me traz vida
Venha forte feito corte feito em mim
Quantas vezes tuas lágrimas secaram
enquanto regas tuas flores no jardim?

Em amor tu recolhes minhas pétalas
E em pétalas eu escolho o teu amor
Mas o que vejo adiante são meus tristes fins
Por um lado eu te quero e te preciso
Noutro desespero, pois sou cr...
Não me sinto parte dos dois jardins

E vez por outra ainda morro outra vez...

Perdoa-me.

 ::.

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 ::.

Tetraplégica Patrícia

::. 

Enquanto todo mundo brincava, Patrícia parada ficava. 
Patrícia veio ao mundo, mas não viveu. 

Meninos tinham corridas eternas. Patrícia não sentia suas pernas. 
Meninas pernoitavam conversando. Patrícia se comunicava piscando.
Todo dia, ciranda e pega-pega. Patrícia não falava, era cega. 

Reconhecia vozes, ouvia histórias. 
Soube de crianças que podiam brincar. 
Patrícia sonhava acordada. 
Que vida parada! 
Chorava calada... Mas braços inertes não podem abraçar. 

Patrícia não se conhece, nunca se viu. 
Patrícia não se diverte, nunca sorriu. 
Suas lágrimas corriam por ela. 

{
Certa noite a menina acordou diferente. 
Seu peito batia forte, mil coisas à mente. 
Não sei explicar, foi surpreendente. 
Patrícia se foi de repente. 
}

O tempo passou. Mas algo mudou. 

Foi nesse momento que descobri que anjo também chora. 
"De que vale uma vida nunca vivida? 
O que poderia ser feito agora?" 
Mas Deus deu a Patrícia um grande presente: 
Cem anos mais tarde nasceu novamente. 

- Obrigado, Senhor. Minha vida te adora!

Desta vez a menina nasceu bem diferente. 
Seu corpo era forte, mil vezes potente. 
Não sei explicar, foi surpreendente. 
Simone nasceu sorridente. 

O tempo passou. 
Mas nada mudou. 

Enquanto todo mundo brincava, Simone parada ficava. 
Simone veio ao mundo, novamente, mas não viveu. 
Meninos brincavam no barco à vela. Simone ficava assistindo novela. 
Meninas pulavam, giravam em ciranda. Simone passava horas na varanda.
A menina poderia fazer de tudo, mas desperdiçava o seu mundo. 
Não ia ao cinema, fugia da praia. Ela sempre vestia a mesma saia. 
Simone via o tempo passar. Esperava que algo pudesse chegar. 
Que vida parada! 
Chorava calada... Mas vidas inertes não sabem andar. 

Simone não se conhece, nunca se viu. 
Simone não se diverte, nunca sorriu. 
Suas lágrimas morriam com ela 

Foi nesse momento que descobri que anjo também aprende. 
"De que vale uma vida nunca vivida? 
O que poderia ser feito agora?" 
Mas Deus deu a Simone outro grande presente: 
Simone dormiria na terra eternamente 

Junto a todos os que aqui já moraram. 
Alguns que viveram. 
Alguns que apenas passaram. 
Alguns que tiveram a alma pequena. 
Alguns que fizeram valer a pena. 
Alguns que lamentaram seu grande sofrer. 
Alguns que fizeram acontecer. 
Alguns que fizeram sua vida morrer. 
Alguns que fizeram sua vida viver.

Que me inspiram a saborear cada um de meus breves momentos. 
Que me obrigam a merecer ter nascido. 
Que me fazem escrever isso agora. 

- Obrigado, Senhor. Minha vida te adora!

::. 

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::.

Solidão Desenhada



::.

Meu desenho começa com um lago.
O lápis teima em traçar o que estou sentindo. 
Então logo surge o mar. 
 Desenho um porto despedindo-se de mais um navio. 
Eu rabisco o adeus de quem vê seu marido sair para mais um dia de pesca. 
Um garoto atirando pedras no mesmo lago em que um dia esteve à beira com seu grande amor. 
Agora, sentado, o menino também desenha coisas que vê de belo... para esquecer a dor, enquanto o lago se enche de pedras. 
 Abro minha caixa de lápis de cor e escolho a tonalidade certa para cada cenário. 
Deixo as pedras sem pintar. Logo o céu azul-claro fica escuro, bem marinho, devido às horas. Apagando pontos no céu surgiram estrelas... mas a lua não quis aparecer. Era uma noite diferente. Abrindo a janela, a esposa vê ao longe seu querido com cavalos-marinhos junto à pesca. 
Cada passo dele para ela era uma gota a menos de saudade. 
O porto ao navio não mais viu... mas o marinheiro sorriu ao pisar a areia... e pôde compartilhar a noite com seu amor de infância. 
 O que aconteceu ao desenho do garoto? 
Ela o viu. 
Gostou de cada cor. 
E lembrou o amor antigo. 
 Enquanto eles conversavam como antes, sentados à beira, um abraço aconteceu, novamente... enquanto seu lago se desfazia das pedras. 
 Acaba a tinta de meu desenho, e o acabo. 
Deixo sobre a mesa a arte que terminei com uma lágrima... 
Desenhei o que sei de belo... para esquecer a dor, na esperança que ela o veja... 
 Mas por mais um dia o meu lago se enche de pedras. ::. 
 (Obs.: Escrevi este texto num pedaço de papel que guardo até hoje. 
Agosto de 1999, em Brasília/DF. 
Um texto iniciante. Romântico. 
Patético. 
Sincero.
 Pensei em colocar o papel fora, mas resolvi dar um outro destino a ele. 
 "Há um coração quente nesta noite fria. Agora só me falta encontrar outro." 

::.

jambelfort
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::.

Sempre gostei de poesia. Espero que algum dia eu saiba fazer uma.
Poesia é forma de expressão. Porém muitas vezes aquilo que é escrito não condiz com o que realmente penso, sinto ou acredito.
Confesso que algumas palavras que uso neste blog são usadas para causar alguma impressão no leitor... ou então são forçadas para que rimem com o parágrafo anterior.
Sinceramente não aprecio isso. Muitas vezes o carinho que sinto não possui uma paroxítona adequada a ela. Por isso não aprecio "poesia-arquitetura", maquinada, trabalhada para exprimir uma lágrima ou um sorriso.
Gosto de sentir o verdadeiro gosto das coisas.
Me agradem elas ou não, mas que sejam sinceras.
Não me cazuzo a ponto de querer um amor inventado, com rimas pra mpb (que têm seu lugar certo), ou ainda, com palavras regradas, com quantidade exata de parágrafos, em padrão-literário. Sentimentos reais não se expressam assim.
Se é bela, corro o risco de que a palavra possa estar iludindo, não transmitindo o sentimento exato. Evito-a.
Se é feia, talvez uma verdade seja ignorada pelo leitor (e infelizmente acabo a ignorando no texto).
Meus sentimentos não se expressam assim. Quero em fatos reais o meu melhor sorriso, decepção, carinho, inquietação, curiosidade, razão, audácia, paixão, amor e tesão. As regras da Academia de Letras que se danem...
Gosto das coisas como elas realmente são. Pessoas são coisas sérias. Sentimentos são coisas sérias. Poesia também é.
Não quero um amor digitado, nem assim quero a indiferença. Não posso dizer que é verdade a palavra pré-trabalhada, planejada, de rima procurada, floreada, enganada, transgredida.
Gosto de palavras feito braile, assim, que me toquem.
E só sei fazer isso de outras formas...
me recuso a fazê-lo em poesia com regras de alvenaria, de tijolos posicionados sempre da mesma forma. Quando nasce em palavras, meu carinho nem pensa nisso, pois sabe o jeito certo.
Poesias construídas, mesmo desleiais, até que são bonitas pra se guardar, feito um broche.
Apesar de não serem instrumentos da verdade, são pinturas bem bonitas. Ficam bem na parede.
Sempre as adimirei. Sempre gostei de poesia.
Espero que algum dia eu saiba fazer uma.

Eu não vou morar no céu

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Eu não vou morar no céu. 

Quando eu chegar ao céu não terei mais maldade 
Nenhuma saudade para lacrimejar 
Nem aplausos a quem vejo me ganhar 
Viverei sem medos... 

Quando eu chegar ao céu não verei filmes de terror 
Nenhum suor vitorioso para transpirar 
Nem minutos de preguiça ao acordar 
Viverei sem sonhos... 

Quando eu chegar ao céu não terei mais dilemas 
Nenhum cinema e frio na barriga ao beijar 
Nem pensamento erótico ao deitar 
Viverei sem manias... 

Quando eu chegar ao céu não terei tanta ousadia 
Nenhuma ironia sórdida para me deliciar 
Nem países exóticos para aventurar 
Viverei sem desafios... 

Mas quem sou eu sem meus medos, sonhos, manias e desafios? 
Quem sou eu sem os defeitos deste mundo? 
O que me restaria? 
Eu ainda me seria? 

Que tipo de eu tão diferente de mim habitará no céu?
Quem me reconheceria? 
Não
Aquele não será eu
Eu não vou morar no céu

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jambelfort
www.livroabertonoescuro.blogspot.com 
jamys2006@gmail.com 
(Texto Registrado. Mencione minha autoria) 

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Frio, vazio e opaco.








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Algumas pessoas nascem sem as pernas. 
Muitas, sem o coração. 
Os hospitais fedem a gente. 
Manicômios, asilos, lugares para débeis não-aceitos entre os débeis comuns.
Adultos que cagam em fraldas. 
Meninos que estupram mulheres. 
Governos que explodem bebês. 
Seringas que carregam vermes. 
Fetos que não viram fotos. 
Jogos que amputam as mentes. 
Bebidas que castigam esposas. 
Indiferenças que partilham a dor. 

Assim é meu corpo neste mundo. 
Assim é este mundo que me traz torpor. 
Que cheiro imundo exalamos às galáxias! 
Moramos entre grades, com medo daqueles ser que não temem ser humano. 

Não me chamo mais Mim Mesmo. 
Este pulso cobre veias que escondem o que sou. 
Células fadadas defraudadas. 
Eu rumo o cemitério comunitário. 
O planeta plana em agonia. 

Frio, vazio e opaco. 

Viram o sangue nas vaginas não mais virgens das meninas de oito anos? 
Viram os destroços - carnes e ossos - putrificados no asfalto? 
O esquartejamento do casal? 
Eu vi aquele vômito de sangue, escarrado, do rapaz decapitado. 
Vi suicídios, terrores e temores. 
Vi meu corpo em decomposição, cortejado por bactérias horripilantes. 

Este é o mundo que me foi presenciado. 
Não me avisaram dos humanos maus. 
O Éden convertido em inferno. 
Somos horripilantes bactérias desesperadas por um Salvador cuja noção de ‘breve’ supera dois milênios. 
Meu corpo já não aguenta olhar adiante. 
Não possuo pernas, nem coração. 
Estou cansado da falta de condição em nossa condição. 

Festejem, ó vós, poucos homens de fé, que residirão eternamente com Deus. 
Meus saudosos cumprimentos e inveja.

Está escrito que brotaram cardos e abrolhos após a expulsão do Éden.
Espinhos em folhas e frutas.
Espinhos em nossa carne e alma.
Universo e nervos em colapso.
Criação irreconhecível.
Pecadores pela própria natureza.

Mas ainda assim...
Há uma esperança quente.
Um desejo pleno.
Uma lágrima transparente.

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jambelfort
www.livroabertonoescuro.blogspot.com 
jamys2006@gmail.com 
(Texto Registrado. Mencione minha autoria) 
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